Uma vez, eu já precisei de algo que me fazia mal. Eu sabia que aquilo era péssimo pra mim e mesmo assim eu seguia fazendo o que não devia. Razões para isso? Difícil dizer. Mas tenho uma teoria: quando tudo ao redor parece tão ruim. Quando o mundo parece cada vez menor, te colocando de joelhos, o que parece bom, mesmo que superficial e vazio, é tudo o que te sobra. E preso na ilusão de que pode dar certo, mesmo sabendo que NÃO VAI DAR, segue-se iludido, contando com a esperança, mas prevendo a tragédia. Não é justo, nunca é. Talvez se tente demais, talvez pareça mais fácil, talvez seja tudo uma porcaria.
Eu vivi dois anos em função de uma ilusão, tentando conseguir algo que nunca achei ser possível pra mim. Não tive sucesso, mas tentei. Talvez não tenha tentado o suficiente, mas isso não é relevante agora. Embora fracassado, não desisto. Parei de tentar tanto. Vejo as coisas passarem sem pressa, sem pressão. Encontro o que pode ser bom e faço o que deve ser feito. Nem sempre a hora tem que agora.
A vida não se mostra fácil, nunca se mostra simples. Mas é sempre vida, sempre aprendizado, sempre deslumbramento. Seja num olhar penetrante, numa risada displicente ou em uma caminhada no frio cortante, sendo atingido pelos primeiros raios do sol. Talvez o bom da vida esteja nessas pequenas coisas, na real. Se tu não souber aproveitar o mais básico, sozinho, de nada servem as coisas mais complicadas. E parece que o somente o complicado é o que interessa. E as pessoas acham que isso é tão simples...